Tereza Cristina cita etanol e inflação como preocupantes em ‘tarifaço’ de Trump

Entre os maiores produtores do Brasil, MS registrou record na produção de etanol
O etanol e a inflação estão entre as principais preocupações da senadora Tereza Cristina (PP) sobre o ‘tarifaço’ de Donald Trump — presidente dos Estados Unidos. A parlamentar de Mato Grosso do Sul lembrou que o etanol está entre as maiores produções do país.
Mato Grosso do Sul é o quarto estado que mais produz o produto. O Estado bateu record de produção e registrou 4,2 bilhões de litros de etanol.
Entre os setores mais atingidos pela definição de novas taxas, Tereza destacou o etanol. “É um setor de grande preocupação, nós temos produtos agrícolas muito semelhantes. Como na economia geral, os Estados Unidos é um grande exportador de commodities”, explicou.
Carne vermelha
Além disso, a senadora pontuou que “exportamos a carne vermelha hoje, pode ter um impacto”. Conforme Tereza, “nós exportamos com taxas que chegam a 90% para entrar nos Estados Unidos. Nós pagamos 90% de impostos para entrar [carne vermelha]”.
Então, afirmou que “se as tarifas forem muito caras, eles vão ter um problema de inflação”. Porém, a preocupação da inflação também assola o Brasil, apontou Tereza.
“Nós quando importamos dos Estados Unidos também trazemos essa tarifa, tem um impacto na nossa economia”, disse.
A senadora comentou que “o impacto também será em países que são parceiros nossos”. Portanto, acredita que é preciso ter diálogo no momento considerado “prematuro” das negociações.
“Se houver em países parceiros, nós também podemos usar a oportunidade para exportar mais para esses países. É um grande quebra-cabeça”, detalhou.
Negociações
“Acho que os Estados Unidos trouxe todo mundo para essa mesa de negociações. É ter muita calma, ver o que grandes exportadores vão fazer”, afirmou Tereza.
A senadora de MS apontou a possibilidade de acordos com outros países. “Vamos ter acordos bilaterais acontecendo, é uma mudança no comércio mundial que ele está provocando”, contou sobre Trump.
Neste sentido, Tereza foi pontual ao afirmar que “não é de uma hora para outra que você acaba com esse multilateralismo”. Assim, disse que “colocar toda essa cadeia de produção dentro dos Estados Unidos, como ele [Trump] quer, isso não se faz com varinha de condão, se faz com tempo”.
Projeto contra “tarifaço”
Por fim, a senadora comentou sobre o projeto que prevê reação ao tarifaço. Segundo Tereza, a matéria “dá instrumentos para o governa brasileiro reagir caso precise. Nossa reação é só em cima das tarifas, com essa contramedida nós podemos reagir por igual caso necessário. Mas eu espero que não”, admitiu Tereza.
Apesar de Trump cumprir o que falou, de “olhar mais para dentro”, Trump impacta o mundo todo. É o que afirmou a senadora por MS.
“O que nós não queremos é que seja injusto e traga prejuízos para a economia brasileira”. Então, a proposta aprovada no Senado que passará pela Câmara busca “procurar as medidas se realmente tiver uma produção linear, essas tarifas bem mais altas é negociar, pegaria minha mala amanhã e iria para o USA para discutir as tarifas mais justas possíveis para as duas partes”.
Tereza ressaltou que “o Brasil vai reagir comprando de outros lugares do mundo”. Para isso, contextualizou que “nós não somos grandes importadores dos Estados Unidos, somos do canadá. Temos que mudar nossos fornecedores”.
Sobre a tramitação na Câmara, a parlamentar de MS disse que já está em diálogo com os deputados. “Já estamos conversando, colocamos pontos, ele [relator] tem que ter um tempo também. Não precisamos resolver isso hoje, mas precisamos encaminhar isso à Câmara. Não precisamos ter essa lei aprovada hoje, não existe esse desespero”, afirmou.