Secretário de Sidrolândia diz que fala foi distorcida ao chamar criança autista de ‘criatura’
Secretário afirmou ser cristão e pediu desculpas, dizendo que não queria ofender ninguém
O secretário de Transporte de Sidrolândia, Luiz Cezar Asman — conhecido como “Di Cezar” — se pronunciou sobre o caso em que chamou crianças autistas de ‘criaturas’. Ele pediu desculpas e disse que sua fala foi distorcida.
Ao Jornal Midiamax na manhã desta terça-feira (3), Di Cezar contou seu lado do ocorrido. Ele relatou ter contado uma história sobre um ônibus escolar quebrado durante a reunião de transporte escolar.
O secretário disse ter ido socorrer o motorista de ônibus do transporte municipal. “Eu contei a história na reunião, que o motorista falou para mim que precisava de um monitor para trocar as crianças de ônibus, ai entrei em pânico e falei: ‘meu Deus, o que faço com essa criatura?’”, relembrou.
Na sua justificativa, o secretário relatou que não sabia acalmar a criança. “Foi isso o que aconteceu. Daí distorceu tudo, jamais eu faria uma coisa dessa”, disse.
Di Cezar se defendeu dizendo ser cristão e que não falaria uma palavra para ofender uma mãe. “Daí ela levantou e saiu chorando”, disse, ao se referir à vereadora Elaine Souza (PP), mãe de criança atípica.
Sessão da Câmara suspensa
Em uma reunião antes da sessão na Câmara de Vereadores da cidade, na manhã de ontem (2), o secretário chamou crianças autistas de criaturas. A declaração de Di Cezar foi em reunião dos vereadores, secretários e pais de alunos da rede municipal.
Logo após a declaração, a vereadora Elaine Souza (PP) saiu chorando da reunião. Com isso, a sessão durou cerca de 12 minutos e foi encerrada em Sidrolândia.
Reunião para melhorias no transporte escolar
Enquanto cobravam melhorias no transporte escolar para crianças da zona rural, os pais pontuaram que não existem monitores nos ônibus. O presidente da Comissão de Educação, vereador Cledinaldo (Novo), disse que foi neste momento que o secretário fez a declaração.
“Tem que ter alguém para cuidar dessas crianças, tem crianças com TDAH, tem autismo”, lembrou Cledinaldo sobre as falas dos pais. Então, o secretário teria dito logo em seguida: “Mas, gente, essas criaturas”.
“Quando entrou a palavra ‘criatura’, sobre as crianças, a vereadora que tem um filho autista saiu chorando”, contou o presidente.
Para o presidente da Comissão, o secretário é “sempre muito sem educação, muito despreparado para tratar com os pais”.

