‘Prender meio mundo’: como operação do Gaeco vazou para rivais políticos dos alvos em MS

‘Prender meio mundo’: como operação do Gaeco vazou para rivais políticos dos alvos em MS

Ex-candidata do partido PL antecipou detalhes da operação contra corrupção em hospital de Sidrolândia

A investigadora Cristina Rosa Gomes de Carvalho vazou para o presidente do Hospital Municipal Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Breure, informações sobre a 2ª fase da Operação Tromper, deflagrada em julho de 2023, em Sidrolândia.

O grupo que operava o esquema da fraude na prefeitura do município, liderado pelo ex-vereador Claudinho Serra, era rival do grupo político coordenado por Breure. A Operação Tromper teve quatro fases ao longo dos últimos anos. Já Cristina e Jacob foram presos na última quarta-feira (7), na segunda etapa da Operação Dirty Pix.

A operação da última semana cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e resultou na prisão preventiva de três pessoas: além de Jacob e Cristiana, foi preso o ex-assessor político Júlio César Alves da Silva.

A investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) coletou provas no WhatsApp do presidente do hospital, em celular apreendido na primeira fase da operação contra desvios de R$ 18 milhões na unidade hospitalar municipal.

Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia. (Léo de França, Jornal Midiamax)

Vazamento de dados

Conforme relatório obtido pelo Jornal Midiamax, os promotores afirmam que Cristina vazava informações para Jacob rotineiramente. Em um dos prints, ela avisa sobre a segunda fase da Tromper, que teve como alvo de prisão os empresários Ueverton Macedo, o Frescura, Roberto Conceição Valençuela e Ricardo Rocamora, além do servidor Tiago Basso.

“Oi. Em Off. Gaeco dentro de uns 7 dias prende meio mundo. Fiquei sabendo agora”, avisa a policial civil. “Mais todos? Coisa boa”, comemora Jacob. Depois, na manhã do dia 21 de julho, após a deflagração da operação, ela envia a Jacob um post de uma página do Facebook noticiando as prisões.

Além disso, por meio das conversas, a investigação constatou que a policial constantemente pedia ‘favores’ ao presidente do hospital, como pagamento de aluguéis, serviços em veículos particulares e fornecimento de combustíveis.

O Jornal Midiamax questionou a defesa de Jacob, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. Já a defesa de Cristina não foi encontrada. O espaço segue aberto para manifestação.

Dirty Pix

As investigações revelaram supostos desvios de R$ 18 milhões na Saúde de verbas públicas destinadas à aquisição de equipamentos, materiais hospitalares e de UTI (unidade de terapia intensiva) móvel, bem como à execução de obras de reforma do hospital.

As equipes cumpriram 25 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. Um deles é no escritório da contadora Rosângela Zanetti Martins Freitas, gestora de contrato do hospital.

O Gecoc apurou que os recursos desviados eram distribuídos em movimentações financeiras para agentes públicos e intermediários. O grupo também agia para tentar obstruir as investigações em curso.

Câmara de Sidrolândia adotará home office na próxima semana (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax, Arquivo)
Câmara de Sidrolândia. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

Afastamento de secretários e vereadores

A Operação Dirty Pix resultou no afastamento de dois secretários municipais e de três vereadores do município. Dois secretários municipais foram afastados por seis meses, por ordem da juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, conforme oficializado no diário do município de quinta-feira (8).

São eles: Enelvo Júnior (Desenvolvimento Econômico) e Cleyton Teixeira (Agricultura). Também houve ordem para afastar os vereadores Cledinaldo Cotócio (PSDB), Adavilton Brandão (MDB) e Izaqueu Diniz (PSD), além do ex-vereador Gabardo (Republicanos) — de qualquer função pública em que esteja atuando.

A magistrada reforçou que, após 180 dias, haverá a reavaliação dos afastamentos. “À luz do estágio das investigações e da persistência dos fundamentos cautelares que a justificam, podendo ser prorrogada mediante decisão fundamentada, caso subsistam os riscos que ensejaram sua decretação.”

FONTE

admin