Marquinhos e Rose acusam Adriane de propagar mentiras e prometem cobrar na Justiça
O vereador Marquinhos Trad (PDT) e a ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil) reagiram com indignação à acusação da prefeita da Capital, de que teriam orquestrado as manifestações contra a gestão municipal. Eles acusam Adriane Lopes (PP) de propagar mentiras para fugir da responsabilidade e prometem ir à Justiça na esfera criminal e cível contra a chefe do Poder Executivo.
Um dos organizadores do protesto e preso pela Guarda Municipal, o professor de educação especial Washington Alves Pagane afirmou que a manifestação foi convocado vias redes sociais sem a participação de políticos. Ele também negou a acusação de Adriane de que havia “bandidos” e homens armados durante o protesto realizado na noite de sábado (29) na abertura do Natal dos Sonhos.

Na defensiva após a Guarda Municipal ser flagrada agredindo idosas e mulheres, a prefeita não se solidarizou com as vítimas. Pelo contrário, a missionária da Assembleia de Deus Missões acusou os adversários de orquestrar as manifestações. Ela chamou Rose de “desocupada” e de “eterna candidata”. Ainda disse que Marquinhos, que lhe lançou na política como vice-prefeita, não tem moral para defender as mulheres.
O caso teve repercussão negativa na imagem da prefeita, já abalada pelos buracos nas ruas, falta de remédios nos postos, crise atrás de crise. A Câmara Municipal convocou o secretário municipal de Segurança, Anderson Gonzaga da Silva Assis, para prestar esclarecimentos nesta quinta-feira, a partir das 8h.
O Ministério Público Estadual abriu inquérito para investigar a agressão da Guarda Municipal O caso é comandado pelo promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos, do Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial).
Mentiras de uma evangélica
“A Adriane ganhou eleição MENTINDO e continua mentindo para a população tentando justificar o injustificável! Jamais tive participação nessas manifestações que ela vem sofrendo! Nunca falei com ninguém sobre esses atos!”, afirmou Rose, que foi candidata a prefeita no ano passado e perdeu a disputa por 12 mil votos.
“A acusação dela é grave e leviana! Por essa razão vou a justiça exigir retratação pública e ressarcimento por danos morais!”, anunciou a ex-deputada.
Marquinhos foi na mesma linha. “A prefeita Adriane Lopes, em entrevista a uma rádio local, fez afirmações gravíssimas, falsas, irresponsáveis e profundamente ofensivas à honra do vereador Marcos Trad. E porque são falsas, serão desmentidas. E porque são ofensivas, serão punidas — na esfera civil e criminal”, destacou o vereador.
Sobre a acusação de que teria orquestrado o protesto, ele afirmou: “Isso é mentira. É invenção política. É acusação vazia, construída para criar um inimigo e fugir das suas próprias responsabilidades”.
“A manifestação em questão foi espontânea, formada por cidadãos indignados com a falta de diálogo da prefeitura. E a prova mais contundente dessa espontaneidade é o que aconteceu naquele dia: uma mãe atípica foi violentamente empurrada por um guarda municipal, gesto que chocou Campo Grande e correu o Brasil”, rebateu Marquinhos.
“Que orquestração é essa em que mães são empurradas ao chão? Que armação é essa que nasce da dor real de famílias que só queriam ser ouvidas? O que houve ali não foi complô. Foi cidadania. Foi povo. Foi direito constitucional de se manifestar”, lamentou.
“Bandidos armados”, cadê a prova?
“A prefeita foi além. Disse que as pessoas presentes eram ‘bandidas, fortemente armadas’ e que, por isso, a Guarda Municipal teria atuado ‘com rigor’. Essa fala não é apenas irresponsável. É criminosa”, afirmou Marquinhos.
“Chamar cidadãos de bem — mães, pais, trabalhadores — de ‘bandidos armados’ é calúnia. A prefeita não mostrou uma foto, um vídeo, um único registro que sustentasse essa fábula. Porque não existe”, ressaltou.
“Quem compareceu à manifestação sabe: não havia armas, não havia violência, não havia criminosos. Havia, sim, famílias pedindo respeito. Havia cidadãos indignados com o desgoverno da cidade. A prefeita tentou transformar a população em inimiga. Tentou manipular a verdade para justificar o uso desproporcional da força. Tentou criminalizar o povo — e isso nós não aceitaremos”, alertou o ex-prefeito.
Mulheres e crianças com deficiência
O protesto foi organizado a partir das redes sociais e contava com aproximadamente 20 pessoas, a maioria mulheres, idosas e crianças com necessidades especiais. De acordo com Washington Alves Pagane, apenas quatro homens participavam da manifestação que irritou a prefeita da Capital.
“Eu não levo ninguém. É a força das redes sociais. A população livre e vai quem quer”, respondeu o professor, sobre a acusação da prefeita de que teria levado “bandidos” para o protesto na abertura do Natal dos Sonhos.
Quando o grupo se aproximou da área cercada pelos guardas municipais, Gonzaga teria debochado do professor: “muito peitudo em fazer isso. P. no c.”. Em seguida, o secretário municipal de Segurança ordenou que os guardas detivessem o professor. Ele foi algemado e encaminhado para a delegacia, onde permaneceu por três horas e foi indiciado por desacato.
O motoentregador preso com um canivete, que foi classificado como “fortemente armado” pela prefeita, seria o “bandido com 50 passagens pela polícia”. Na bag, ele tinha um adesivo “Fora Adriane” e “olha o buraco” para protestar contra a buraqueira nas ruas da Capital.
Apesar de ser chamado de “bandido”, ele não ficou preso e só foi indiciado.


