Líder de quadrilha usava familiares para o contrabando e enviava mercadorias pelo marketplace
Quadrilha atuava há pelo menos cinco anos com distribuição de mercadorias para todo o Brasil
O líder da quadrilha alvo da Operação Uxoris, deflagrada na manhã desta quarta-feira (3), em Campo Grande, usava de familiares para o contrabando e enviava mercadorias para todo o Brasil através do marketplace. Grupo teria lucrado mais de R$ 40 milhões em cerca de 5 anos de atuação.
Nesta quarta (3), uma loja de assistência técnica, na Avenida Afonso Pena, e um depósito, no Jardim Nhanhá, foram interditados pela PF (Polícia Federal) e Receita Federal, por meio da Delefaz (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários). Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Campo Grande e outro em São Paulo.
Durante coletiva de imprensa na superintendência da PF, o delegado Anezio Rosa de Andrade, chefe da Delefaz, revelou que a quadrilha agia há três a cinco anos no Brasil. Com distribuidores em Mato Grosso do Sul e São Paulo, os criminosos enviavam mercadorias para todo o Brasil, especialmente pelo marketplace — plataforma on-line que conecta computadores e vendedores.
“Mercadorias de diversos tipos, eletrônicos, utensílios domésticos, mercadorias controladas, cigarros eletrônicos”, detalhou Anezio. A quadrilha movimentou cerca de R$ 43 milhões — destes, R$ 18 milhões teriam sido movimentados pelo líder. Ele foi denunciado pela ex-esposa, que estava tendo seus documentos pessoais usados de forma indevida para a constituição de pessoas jurídicas de fachada.
“O grupo tem um líder, o principal alvo, que seria o grande gestor dessa atividade e que atua com outras pessoas, como ex-funcionários, atuais funcionários, parentes. Temos aí uma estrutura hierarquizada com divisão de tarefas, distribuição de atividades e com uma pessoa, que seria justamente esse ex-cônjuge dessa denunciante, que seria o grande líder, até então identificado nesta operação”, explicou o chefe da Delefaz.
Apesar dos R$ 43 milhões já terem sido bloqueados pela Justiça, o delegado afirmou que a movimentação financeira da quadrilha pode ser ainda maior com o avanço das investigações.
Em Campo Grande, dos oito mandados de busca e apreensão cumpridos, seis foram em estabelecimentos comerciais, como a loja da Avenida Afonso Pena e o depósito no Jardim Nhanhá. Também, 20 pessoas físicas e jurídicas tiveram os bens móveis, imóveis e valores sequestrados. Anezio explicou que a interdição visa interromper as atividades da quadrilha.

“Estão com as atividades suspensas, CNPJ estarão suspensos junto à Receita Estadual e Federal. Então, não podem continuar em atividade comercial e o próprio estabelecimento comercial foi interditado, não pode continuar atuando. Essa é uma medida cautelar deferida pela Justiça visando interromper as atividades delitivas do grupo”, pontuou.
Além dos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais, contrabando, descaminho e demais ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional, o chefe da Delefaz ressaltou a concorrência desleal.
“Porque comerciantes que pagam seus impostos em dia têm dificuldade de concorrer com esse tipo de comércio, pois, como [os alvos da operação] não pagam impostos, conseguem vender bem mais barato, prejudicando a concorrência”, ressaltou.
Operação Uxoris
As investigações se iniciaram após a ex-mulher do líder da quadrilha denunciar o uso indevido de seus documentos pessoais para a constituição de pessoas jurídicas de fachada para cometer os crimes.
Durante as investigações, foi identificado que a quadrilha é especializada na importação fraudulenta de grande quantidade de mercadorias de origem estrangeira. Entre as mercadorias, estão capas de celulares e eletrônicos, que eram distribuídos para todo o Brasil através de plataformas de marketplace e lojas físicas de Campo Grande.
De acordo com a PF e a Receita Federal, os eletrônicos não tinham documentação fiscal e regularização perante os órgãos de controle aduaneiro.
Modus operandi
Também durante as investigações, foi apurado pela polícia que a quadrilha usava a modalidade conhecida como ‘dólar-cabo’ para fazer os pagamentos das mercadorias. Os criminosos realizavam as remessas ilegais de valores ao exterior mediante compensações financeiras irregulares.
A quadrilha também praticava ocultação e dissimulação da origem ilícita dos ganhos obtidos.

