Justiça Federal analisará soltura de indígenas que invadiram fazenda em Dourados

Justiça Federal analisará soltura de indígenas que invadiram fazenda em Dourados

Os indígenas Lucila Chimenes, Jaciele Gonçalves, Rizzieli Chimenes Gauto, Sérgio Gauto e Maila Brites, suspeitos de invadir e incendiar a Fazenda Gleba Uirapuru, em Dourados, presos pela PM (Polícia Militar), terão suas solturas analisadas pela Justiça Federal, já que o juiz Ricardo da Mata Reis entendeu que o conflito envolve reivindicação territorial coletiva do povo guarani-kaiowá.

Os cinco passaram por audiência de custódia e continuavam presos no momento da transferência dos autos.

O Campo Grande News publicou que o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) pediu a transferência dos presos antes da audiência, contudo, a Promotoria afirmou que os fatos ultrapassam a situação individual devido a disputa por terra. Apesar de considerar que havia elementos para avaliar a prisão preventiva, o órgão entendeu que essa análise deveria ficar com a Justiça Federal.

“Há, no caso em comento, interesse da União e, desta maneira, o feito deverá ser analisado pelo juízo federal, porquanto detém competência absoluta para julgar tal matéria”, afirmou o promotor João Linhares, solicitando a remessa imediata por causa da situação dos presos e deixou para a Justiça Federal decidir sobre a continuidade das detenções.

A Defensoria Pública concordou com a mudança de competência, mas pediu a liberdade dos cinco sem pagamento de fiança. A defesa sustentou que o episódio ocorreu em uma área tratada pelos indígenas como retomada e que a disputa envolve direitos coletivos da comunidade guarani-kaiowá. Também argumentou que a autoria do incêndio ainda depende de perícia.

Ainda segundo os autos, o magistrado também mandou a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) explicar, em cinco dias, por que os presos não puderam comunicar as detenções aos familiares.

De acordo com a reportagem, uma mulher relatou ter recebido chutes no rosto e na barriga de um policial militar. Já outro preso alegou ter sido atingido por munição de impacto controlado. Estes relatos foram encaminhados para o Ministério Público e também à Corregedoria da PM (Polícia Militar).

O conflito

Conforme noticiado anteriormente, o conflito teve início na segunda-feira (17/8), quando o proprietário da fazenda foi até a delegacia e relatou tentativa de invasão e ameaças. Na manhã de quarta (19/8), os policiais encontraram duas barracas dentro da propriedade e relataram ataques com pedras e flechas.

Inclusive, a equipe apreendeu uma foice, um facão, duas lanças, e cinco objetos usados para furar pneus.

À tarde, uma escavadeira contratada pelos proprietários abriu uma valeta entre a fazenda e a Aldeia Bororó para tentar impedir novos acessos. Horas depois, a polícia retornou para a fazenda e se deparou com vários focos de incêndio na pastagem.

Houve confronto e dois foram atingidos por munição de impacto controlado, enquanto policiais relataram agressões com pedras, madeira e uma barra de ferro.

Os cinco foram levados à delegacia, e policiais recolheram uma faca, a barra de ferro, pedaços de madeira e um galão com substância semelhante a gasolina.

FONTE

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