Gutenberg: quatro deputados estaduais, um federal e Adriane são citados por acusados

Gutenberg: quatro deputados estaduais, um federal e Adriane são citados por acusados

A Operação Gutenberg, deflagrada para apurar desvios milionários na venda de livros paradidáticos, pode chegar a quatro deputados estaduais, um federal e até a prefeitos. A investigação chegou a ser enviada ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul devido ao foro privilegiado, mas retornou à primeira instância em busca de novos indícios da participação dos agentes políticos no esquema criminoso que levou a prisão de 15 pessoas. Um empresário segue foragido.

Nas interceptações de mensagens feitas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), os investigados citam a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e o marido, o deputado estadual Lídio Lopes (Avante), os deputados estaduais Jamilson Lopes Name (PP), Mara Caseiro e Paulo Corrêa, do PL, e do vereador Herculano Borges (Republicanos).

Os indícios foram suficientes para o Gaeco, em agosto de 2025, manifestar-se a favor do encaminhamento do caso para o Tribunal de Justiça. O juiz Deyvis Ecco, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, concordou com o Ministério Público Estadual.

“Analisando detidamente os autos, tenho que assiste razão ao órgão ministerial. Com efeito, os elementos supervenientes coligidos no curso da investigação indicam, dentre os supostos integrantes da organização criminosa, a suposta participação de agentes políticos detentores de prerrogativa de foro por função, notadamente Prefeitos e Deputados Estaduais, conforme previsto no ordenamento constitucional pátrio”, apontou o magistrado.

O desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa, do TJMS, chegou a assumir a presidência do inquérito e manteve a denúncia na corte por quatro meses.

“De fato, apesar das citações à diversas Prefeituras do Estado de Mato Grosso do Sul, assim como a nomes de autoridades com prerrogativa de foro (Prefeitos e Deputados Estaduais), revelou-se necessário obter-se outros elementos que sejam aptos a ensejar o início de uma investigação criminal em face de agentes políticos, supostamente envolvidos no referido esquema criminoso, de modo que imprescindível a continuidade das investigações no âmbito do Juízo de Primeiro Grau para além das menções/citações realizadas pelos investigados Ed Carlo Britto Burgatt e Gabriel Taquino de Paula”, pontuou.

“Todavia, em que pese as relevantes provas produzidas até o presente momento, em análise às peças de informação constantes no presente feito, notadamente o conteúdo apresentado no Relatório de Informação nº 080/SOI/GAECO/MPMS/2025 (fls. 362/458), revelou-se necessário o retorno dos autos à origem para que, na continuidade das investigações com relação a outros investigados que não possuem prerrogativa de foro, fosse possível a colheita de elementos a fim de que o e. Tribunal de Justiça possa decidir com mais acurácia acerca da necessidade ou não de se instaurar, no âmbito daquela egrégia Corte, procedimento investigatório face a agentes de sua competência”, determinou o desembargador.

Prefeita e marido são citados por investigados, mas Gaeco não encontrou indícios até o momento do envolvimento de ambos no esquema criminoso (Foto: Arquivo)

Na mansão da prefeita

Na conversa com o ex-coordenador da Central de Regulação, Ed Carlo Britto Burgatt, e advogado Gabriel Taquino de Paula, 31 anos, com o empresário Francisco Anízio dos Santos, eles mostram que estão na casa da prefeita de CampO Grande. A imagem é ocultada no aplicativo de mensagens.

Ainda na conversa do dia 23/05/2022, ED CARLOS questiona se ANISIO (FRANCISCO ANIZIO DOS SANTOS), teria força na prefeitura de Campo Grande, solicitando para GABRIEL TAQUINO, cargos na saúde e contrato de limpeza e podas nas unidades de saúde de Campo Grande, o que poderia lhe render em torno de R$ 15.000,00 (quinze mil reais).

Trecho da conversa em que investigados citam que estão na mansão de Adriane (Foto: Reprodução)

A Prefeitura de Campo Grande firmou contrato de R$ 3,2 milhões  com a Editora Avante e comprou 29,7 mil kits escolares.

Em outra conversa, no dia 23 de maio de 2022, Ed Carlo questiona Anízio sobre cargos na prefeitura. Eles pleiteiam cargos na saúde e um contrato de limpeza e de pondas nas unidades de saúde. Até fazem a conta de que poderiam ganhar R$ 15 mil por mês.

Em outras conversas, eles citam os deputados Paulo Corrêa, Jamilson Lopes Name e Mara Caseiro, que poderiam ajuda-los a efetuar a contratação da editora pelos municípios do interior. Também citam o vereador Herculano Borges, que foi deputado estadual, e Dagoberto Nogueira.

Até o momento, o Gaeco não encontrou indícios contundentes contra os políticos e a investigação segue na primeira instância. No último dia 7, a Operação Gutenberg foi deflagrada para o cumprimento de 43 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão preventiva.

Caso investigação suba de degrau, competência passa a ser do chefe do MPE, Romão Ávila Milhan Júnior (Foto: Arquivo)

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