Enteado de empresário suspeito de fraude em internações de dependentes químicos é preso com arma
O estudante Lucas Soto Silveira, de 30 anos, foi preso em flagrante com uma pistola 9 milímetros e 36 munições do mesmo calibre. A prisão ocorreu na manhã desta terça-feira (18) em Glória de Dourados, no âmbito da Operação Cura Terapêutica, deflagrada pela Polícia Civil.
Lucas dormia em um dos quartos da Clínica Vila Bethânia Centro Terapêutico, na zona rural do município de Glória de Dourados. Ele é enteado do dono do estabelecimento, Fábio Garcia do Amaral, de 45 anos, principal alvo da operação.
Fábio e o gerente da clínica, Marcos Pereira de Matos, de 48 anos, também foram presos e autuados em flagrante por manter um paciente de 22 anos em cárcere privado e por tráfico de drogas em decorrência dos medicamentos sujeitos a controle especial encontrados na clínica.
De acordo com o auto de prisão em flagrante ao qual o Campo Grande News teve acesso, Lucas alegou que a pistola pertence a Fábio Garcia do Amaral e a guardou consigo a pedido do padrasto. Segundo ele, o empresário havia dito que possuía documentação da arma. A Polícia Civil informou que essa situação está sendo investigada.

A operação
Na manhã de ontem, a Deccor (Delegacia Especializada de Combate à Corrupção) deflagrou a Operação Cura Terapêutica para cumprir 14 mandados de busca e apreensão em Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã. As ordens foram expedidas pelo juiz Pedro Henrique Freitas de Paula da Vara das Garantias, Tribunal do Juri e Execução Penal da Comarca de Dourados.
Entre os locais onde foram cumpridos os mandados, além da clínica, estava a casa de Fábio Garcia do Amaral, no condomínio de luxo Ecoville I, em Dourados. O magistrado também determinou a indisponibilidade de bens dos investigados, avaliados em R$ 1 milhão.
De acordo com a Polícia Civil, a operação decorre de inquérito instaurado para apurar a atuação de uma estrutura criminosa envolvendo empresas prestadoras de serviços relacionados à internação de dependentes químicos, custeados pelo Poder Público. O grupo é investigado por lavagem de dinheiro, organização criminosa e crime contra a Administração Pública.
Treze pessoas físicas e jurídicas são suspeitas de integrar o esquema criminoso. A investigação aponta que estabelecimentos vinculados ao grupo teriam ofertado, ao Poder Público, serviços de internação para dependentes químicos sem preencher os requisitos técnicos necessários para serem considerados clínicas especializadas. Os 3 presos em flagrante vão passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (19). As investigações envolvendo o esquema ocorrem em sigilo.


