CPI do Crime quer ‘devassa’ em dados sobre conflitos de facções e apreensões na fronteira de MS
Comissão no Senado requereu dados detalhados sobre armamentos que entram pela fronteira
Um pedido de dados sobre conflitos na fronteira está entre os primeiros requerimentos aprovados pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado. Assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública receberá pedido para fornecer dados sobre facções nos últimos cinco anos — de 2021 até 2025.
A CPI foi instalada no Senado em 4 de novembro, com eixos de investigação centralizados no crime organizado. Para isso, os parlamentares devem investigar o tráfico, a milícia, o uso de fintechs, bancas de advocacia, criptomoedas para a lavagem de dinheiro e a necessidade de integração entre os órgãos de segurança pública e as Forças Armadas.
O senador Alessandro Vieira (MDB) é autor do requerimento. Na sessão de abertura dos trabalhos, pontuou que requer “todos os dados referentes a relatórios de inteligência policial; dados estatísticos consolidados, especialmente de apreensões de drogas, de armas de fogo – com distinção por calibre, origem e localização”.
Além disso, o senador destacou o pedido de informações sobre “crimes patrimoniais ligados a organizações criminosas – como roubo de carga, roubo a banco, extorsão mediante sequestro – e conflitos em área de fronteira; dados da PRF e PF de operações policiais”.
Sistema prisional
Dados do sistema prisional sobre a cooperação internacional realizada pelo Brasil e os planos estratégicos do Ministério também foram solicitados. “Também os dados sobre controle de armas, uma vez que a gente tem um problema sério em controle de armas”, disse o senador na reunião.
Então, pontuou que a Casa já relatou “ao longo dos últimos sete anos, da dificuldade que nós temos para identificar e rastrear armas de fogo e munições no Brasil”.
O Ministério da Defesa pediu prazo extra para responder com os dados solicitados. Porém, a próxima reunião da Comissão acontece apenas em 18 de novembro, uma terça-feira. Na ocasião, os senadores começam as oitivas.
São convidados Andrei Augusto Passos Rodrigues, o diretor-Geral da Polícia Federal, e Leandro Almada da Costa, o diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal.
CPI do Crime Organizado
As investigações começaram depois da operação no Rio de Janeiro que deixou mais de 120 mortos. Após a instalação da CPI, o grupo realizou a primeira reunião e aprovou os primeiros convites.
Ademais, realizaram eleição da presidência, vice-presidência e relatoria da Comissão. Assim, elegeram o senador Fabiano Contarato (PT) como presidente. Já a vice-presidência ficou com o senador Hamilton Mourão (Republicanos).
Mourão concorreu à presidência e recebeu cinco votos favoráveis, enquanto Contarato somou seis votos.
A relatora da CPI está com o senador Alessandro Vieira (MDB). Além disso, integram o grupo de titulares: Márcio Bittar (PL); Flávio Bolsonaro (PL); Magno Malta (PL); Otto Alencar (PSD), Ângelo Coronel (PSD), Marcos do Val (Podemos); Jorge Kajuru (PSB) e Rogério Carvalho (PT).
Já os suplentes são: Jaques Wagner, da Bahia, e Randolfe Rodrigues, do Amapá, do PT; Veneziano Vital do Rêgo (MDB); Sérgio Moro (União); Eduardo Girão (Novo); e Esperidião Amin (PP).
Fronteiras de MS na CPI
A fronteira de Mato Grosso do Sul deve estar no radar da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado. É o que espera a senadora por MS Tereza Cristina (PP). Assim, defendeu que “nossa região tem importância estratégica e demanda atenção especial do Estado brasileiro”.
Para o senador por MS Nelsinho Trad (PSD), essa é uma chance de trazer o debate para o problema do tráfico de drogas, armas e contrabando na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
A Comissão Parlamentar de Inquérito será instaurada após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos. O motivo da ação policial foi o combate ao Comando Vermelho, umas das maiores facções criminosas do país, também presente em MS.
Por fim, para a senadora por MS Soraya Thronicke (Podemos), a discussão é fundamental para os trabalhos no Senado. “No caso de Mato Grosso do Sul, por ser um estado fronteiriço com dois países sul-americanos e uma das principais portas de entrada do crime organizado, é essencial que a CPI tenha um olhar especial para a nossa região”, comentou ao Jornal Midiamax.

