Após denúncia do MP, Juliano Ferro desiste de nomear ex-mulher na prefeitura de Ivinhema
Prefeito vem enfrentando problemas judiciais com próprio salário e também de secretários
O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB), desistiu de nomear a ex-esposa, Samara Donato, como chefe da secretaria de Habitação da cidade. O chefe do Executivo usou as redes sociais para dizer que a desistência foi feita após uma denúncia do Ministério Público.
“Está difícil ser prefeito. A oposição vem no intuito de fazer denúncias para atrasar Ivinhema. Estamos com problemas no salário de secretários. Fizeram denúncias, perdemos alguns secretários. Iríamos colocar a Samara como secretária de habitação, não porque é minha ex-mulher, mas pela capacidade. Abri meu e-mail e já tinha denúncia do Ministério Público e não vamos conseguir mais colocar”, disse.
Separada desde o ano passado do chefe do executivo de Ivinhema, Samara chegou a gravar vídeo em que afirmava não querer se envolver com política. Contudo, na sessão de abertura dos trabalhos legislativos no começo do mês de fevereiro, Juliano Ferro já sinalizou o potencial da ex-mulher para ser sua sucessora na administração de Ivinhema.
Justiça barra aumento de salário
Em 11 de março de 2025, o juiz Rodrigo Barbosa Sanches, da 1ª Vara de Ivinhema, acolheu pedido do advogado Douglas Prado em ação popular e suspendeu aumento no salário do prefeito de Ivinhema, de R$ 19.904 para R$ 35 mil.
O reajuste também atingia o vice-prefeito, secretários, procurador e chefe de gabinete do município. O pedido indicava que a lei que aumenta gastos com pessoal foi sancionada a menos de seis meses do fim do mandato, o que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Na decisão liminar (provisória), o magistrado pontuou: “Verifica-se que se encontram preenchidos os requisitos para concessão da tutela de urgência, eis que comprovada a probabilidade do direito e o perigo de dano, este último consubstanciado no fato de que os novos subsídios vêm sendo pagos desde o início deste ano, em evidente prejuízo ao erário”.
Um dia depois, Ferro foi às redes sociais para lamentar a decisão. Em vídeo que acompanhava a legenda “Cada dia mais complicado ser prefeito”, ele afirmou: “É injusto ser o mais baixo [salário] da região. Fazia anos que não aumentava o salário […] acho injusto o prefeito ganhar R$ 14 mil [líquido] trabalhando noite e dia, já descontado… R$ 19 mil”.
Para Ferro, ganhar o mesmo salário que o governador Eduardo Riedel (R$ 35.462,27), só que para administrar um município de 24.233 habitantes (estimativa do IBGE 2024), é justo.
“Ivinhema tinha arrecadação anual de R$ 100 milhões. Elevei, junto do meu quadro de secretários, para quase R$ 300 milhões em quatro anos. Nós produzimos, estamos construindo uma cidade melhor, dando resultado para o povo, e a pessoa faz isso [referindo-se ao advogado]”, justificou.
O prefeito alega ainda que a ação seria perseguição política, afirmando que o advogado que entrou com o processo não seria de Ivinhema. Por fim, declarou que “a decisão judicial foi acatada. Se ficar isso aí, vou tocar, como toquei até agora. É injusto ser o mais baixo da região”, concluiu.
Mesmo após a decisão, houve nova tentativa para aumentar o salário, agora em 2026. Uma primeira sessão extraordinária na Câmara foi convocada, mas acabou cancelada. Outra foi chamada, mas não houve votação do texto. Ferro chegou a publicar um vídeo em que rasgava o projeto de lei, sinalizando abrir mão do aumento.

