Adriane apela à Lei Maria da Penha contra influencer que incomodava o marido Lídio Lopes

Adriane apela à Lei Maria da Penha contra influencer que incomodava o marido Lídio Lopes

Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP) apelou à Lei Maria da Penha e obteve medida protetiva contra Bruno Ortiz Barbosa. O influencer vinha incomodando o marido da pepista, o deputado estadual Lídio Lopes (Avante) ao participar dos eventos de campanha nos bairros e confrontá-los com os problemas da Capital. Também vinha denunciando o uso de templos religiosos de pastores contratados pela prefeitura pelo primeiro cavaleiro.

Na quarta-feira (10), no plantão judicial, o juiz Márcio Alexandre Wust acatou pedido da prefeita e do Ministério Público Estadual de que o influencer estava praticando “violência doméstica e familiar”.

“Tendo em consideração a documentação juntada, onde se constata a prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida, e as relevantes razões expostas na inicial envolvendo esta e o agressor, evidencia-se necessidade de aplicação de medida protetiva de urgência que obrigue o agressor, posto que sua permanência no lar poderá advir prejuízos de grave e de difícil reparação”, concluiu Wust, apesar de Bruno Ortiz não residir na mansão de Adriane Lopes no Bairro Carandá Bosque.

Na decisão, o juiz proíbe o influencer de se aproximar da prefeita e familiares e manter distância de, no mínimo, 100 metros. Também está proibido de manter contato por carta, telefone, e-mail e mensagens. Também não poderá frequentar a prefeitura nem os eventos públicos com a participação da prefeita de Campo Grande.

Marido, denúncias e fiscalização

Com 45,6 mil seguidores no Instagram e 16 mil no Facebook, Bruno Ortiz passou a fiscalizar de forma ostensiva a gestão de Adriane e a pré-campanha do marido. Ele passou a frequentar o café da manhã realizado por Lídio Lopes e outros aliados de Adriane, como o deputado federal Dagoberto Nogueira (PP).

O influencer, que é pré-candidato a deputado estadual pelo Republicanos, passou a denunciar a participação de Lídio Lopes em templos evangélicos cujos pastores são funcionários comissionados da Prefeitura de Campo Grande. Ele postava o deputado, o pastor e ainda divulgava o salário pago pelo poder público ao religioso.

Adriane ganhou destaque nacional com a revelação de que tem 12 pastores em cargos estratégicos no município.

Na semana passada, Bruno denunciou o suposto churrasco de Adriane, Lídio e o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, com os vereadores no mesmo dia em que a prefeita conseguiu enterrar a CPI da Saúde na Câmara Municipal. Nas redes sociais, o influencer exibiu imagens áreas do churrasco na mansão de Adriane.

Para protestar, Bruno Ortiz convocou o “protesto do espetinho” na praça em frente à casa da chefe do Poder Executivo. O objetivo é protestar contra a não instalação da CPI da Saúde e pelas péssimas condições da saúde na Capital.

O uso de drone sobre sua casa foi um dos pontos usados pela prefeita para pedir a medida protetiva, conforme depoimento dado ao Campo Grande News. Ela disse que as filmagens áreas estariam ocorrendo toda semana.

“Fazem dois anos que eu sofro violência política, violência de gênero. Esse cara me persegue semanalmente com vídeos, com mentiras, com injúrias, difamação. A minha mãe está conseguindo síndrome do pânico, porque toda semana tem um drone sobrevoando a minha casa. Então, essa não é a única medida, claro, que eu vou até as últimas consequências criminais contra essa pessoa”, declarou Adriane ao site.

Bruno Ortiz negou que tenha usado drone para espiar a mansão de Adriane, envolvida em uma polêmica sobre o pagamento de IPTU reduzido, enquanto o restante da cidade arcou com reajuste de até 396%.

Prefeita não aguenta críticas, diz advogado

O advogado Valdir Custódio, responsável pela defesa de Ortiz, afirmou que houve equívoco da Justiça. “Isso não é proteção de gênero, é comodidade política. Eles não têm ouvidos para ouvir as verdades que esse menino diz”, destacou o defensor.

Bruno Ortiz não se manifestou sobre a decisão, mas postou uma foto nas redes sociais com a boca tampada pela faixa: “censura”.

Custódio diz que vai esperar a distribuição do processo para uma das Varas de Violência Doméstica para contestar a decisão.

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