Médicos notificam Santa Rita alegando atrasos e ‘situação crítica’ no pronto-socorro
Uma notificação extrajudicial assinada digitalmente por vários médicos no início de maio, foi encaminhada ao Hospital Santa Casa, antigo Santa Rita, em Dourados.
No documento, os profissionais criticam a estrutura do local e apontam que o pronto-socorro da instituição vem operando em regime de “manutenção de vida”, ou seja, com condições de manter apenas pacientes em situações críticas.
De acordo com eles, os atendimentos eletivos e internações que dependem de monitoramento laboratorial estão suspensos.
O relato é que a paralisação do setor “retira do médico o suporte diagnóstico indispensável para a prática segura da medicina”, já que, sem saber o resultado de um hemograma, de uma dosagem de eletrólitos ou de uma gasometria, o profissional está, segundo eles mesmo, “forçado à omissão pela estrutura”.
Conforme o documento que o Dourados News teve acesso, os trabalhadores citam a violação ao Código de Ética Médica, apontando uma Resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) que proíbe o médico de exercer a profissão em locais onde as condições de trabalho possam prejudicar o paciente.
Na mesma notificação, os profissionais reclamam do atraso dos pagamentos de honorários, que segundo relatado, chega há meses em algumas situações.
Outro lado
O Dourados News entrou em contato com o hospital e foi informado pela Inbases (Instituto Brasil Amazônia de Serviços Especializados em Saúde), atual administradora da unidade, que é de conhecimento público o que classificou como “crise econômico-financeira, estrutural, administrativa e assistencial” da unidade desde o momento que a gestão assumiu o Santa Rita [agora Santa Casa].
Em relação aos problemas apresentados pelos profissionais, o Inbases negou as afirmações. “Quanto às alegações relacionadas à assistência hospitalar, o Inbases esclarece que não procede qualquer informação de abandono ou desassistência de pacientes. O Hospital Santa Casa permanece em funcionamento, realizando atendimentos médicos, internações e assistência hospitalar contínua, observando critérios técnicos, protocolos assistenciais e segurança do paciente”, resume a nota encaminhada.
Já a denúncia de atrasos salariais, o Instituto confirma a existência de pendências herdadas da administração passada.
“O Inbases esclarece que os salários dos colaboradores vêm sendo pagos dentro da competência mensal, permanecendo eventuais pendências pontuais relacionadas a passivos pretéritos e à reorganização financeira herdada da antiga estrutura administrativa”, diz.
Imbróglio
Tradicional em Dourados, o Hospital Santa Rita vem há anos enfrentando uma crise econômica. Desde 2025, o prédio da unidade é administrado pelo Inbases e recentemente passou a ser chamado de Santa Casa.
Nos últimos meses, a empresa viu crescer o número de processos trabalhistas e reclamações em relação ao atendimento e também quitação de pendencias com colaboradores.
Diante deste fato, o Instituto alega que vem buscando promover a reestruturação do local.
“Quando a atual gestão iniciou os trabalhos, diversos setores e serviços encontravam-se parcial ou totalmente inoperantes, além da existência de inúmeras pendências documentais, regulatórias e administrativas, situação que exigiu atuação imediata para reorganização da unidade hospitalar. Desde então, o Inbases vem promovendo ampla reestruturação administrativa, operacional e assistencial, regularizando documentações institucionais, licenças, alvarás, fluxos operacionais e exigências regulatórias, realidade bastante distinta daquela encontrada no início da gestão”, citou.

