Tribunal do Júri absolve acusado de matar jovem em campo de futebol em Dourados
O Tribunal do Júri da comarca de Dourados absolveu Vinícius Alves Roman, acusado de participação no assassinato de Marcus Vinícius Félix da Silva, de 21 anos, morto a tiros em maio de 2024, no bairro Jardim Guaicurus.
A decisão foi proferida após Júri popular realizado na terça-feira (5).
Conforme a sentença, os jurados acolheram o quesito genérico de absolvição, resultando na improcedência da acusação por insuficiência de provas quanto à autoria.
A defesa de Vinícius, conduzida pelos advogados Jeferson Faria e Tatiana Ribeiro, estruturou sua atuação com foco na desconstrução da materialidade autoral e no fortalecimento da tese de negativa de autoria.
Durante o julgamento, a banca defensiva sustentou que não havia elementos probatórios robustos capazes de vincular diretamente o acusado à execução, destacando fragilidades na investigação, ausência de apreensão da arma utilizada no crime e inconsistências em depoimentos colhidos ao longo da instrução processual.
O caso
Marcus Vinícius foi assassinado na noite de 9 de maio de 2024, por volta das 19h40, em um campo de futebol localizado na rua Tito Mello. O caso ganhou bastante repercussão estadual na época, principalmente pelo fato da vítima ser irmão de um goleiro das categorias de base do Fluminense.
Na ocasião, ele foi surpreendido por disparos de arma de fogo efetuados por um homem que chegou ao local em uma motocicleta.
Mesmo ferido, o jovem tentou fugir e buscar abrigo em uma residência próxima, mas não resistiu e morreu dentro da ambulância, a caminho do hospital.
Inicialmente, a investigação considerou a hipótese de crime passional. No entanto, o direcionamento estratégico da apuração evoluiu para a linha de conflito entre facções criminosas, conforme apontado pela Polícia Civil.
Dinâmica do crime
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Vinícius Alves Roman e Vitor Henrique Vargas da Silva teriam atuado em conjunto na execução. A acusação sustentava que o crime foi premeditado e praticado com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de representar risco a terceiros, já que os disparos ocorreram em local público.
A investigação também indicava que os envolvidos seriam integrantes de facção criminosa e que o homicídio estaria inserido em um contexto de disputa com grupo rival.
Segundo os autos, a vítima foi atingida por diversos disparos enquanto jogava futebol, sendo perseguida pelo atirador mesmo após tentar escapar.
Outros desdobramentos
Durante o curso do processo, o outro denunciado, Vitor Henrique Vargas da Silva, foi impronunciado pela Justiça, ou seja, não foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri por ausência de elementos suficientes de autoria.
Já Vinícius Alves Roman, que estava preso na PED (Penitenciária Estadual de Dourados) chegou a ser pronunciado e submetido a julgamento popular, que culminou agora em sua absolvição.
Com a decisão do Júri, foi determinada a expedição de alvará de soltura em favor do acusado absolvido.

