Após falta de tudo, Adriane apela às OS na saúde, modelo marcado por escândalos de corrupção

Após falta de tudo, Adriane apela às OS na saúde, modelo marcado por escândalos de corrupção

A gestão de Adriane Lopes (PP) tem sido marcada por caos na saúde, com falta de medicamentos e insumos básicos, até que nesta semana, a prefeitura surgiu com uma proposta que chama de “inovadora”, mas já é bem conhecida por escândalos de corrupção e precarização. É a chamada privatização da saúde, ou entrega de unidades de saúde para a gestão de OS (Organizações Sociais).

A prefeitura quer um projeto piloto de 12 meses, nos Centros Regionais de Saúde do Aero Rancho e Tiradentes, com proposta de pagar R$ 3,9 milhões por mês para uma OS administrar as unidades. A justificativa é de economia mensal de R$ 400 mil e, para o secretário Marcelo Vilela é “um novo modelo de gestão, com foco no atendimento ao cidadão”.

A proposta precisa passar pela Câmara dos Vereadores para entrar em vigor e foi apresentada pelo secretário Marcelo Vilela ao Conselho Permanente de Saúde. Nesta quinta-feira (26), o assunto deve ser debatido na Câmara a partir das 8h30.

O Conselho Municipal de Saúde reforçou, em reunião na quarta-feira (25), que é contra a proposta e que, terceirizar unidades de saúde abre brecha para corrupção e precarização das condições de trabalho. Desde 2016, a deliberação do conselho é contrária a terceirização da saúde.

“A gente entende que o que falta na prefeitura é gestão na saúde e não recursos, então a justificativa de economia não faz sentido. Até porque a gente sabe que os termos aditivos acabam por encarecer os contratos, as OS assim como todas as empresas visam o lucro”, afirma o presidente do conselho municipal Jader Vasconcelos.

Vilela evitou perguntas e disse que proposta é inovadora (Foto: O Jacaré)

Fora os problemas adicionais gerados aos servidores que perdem os plantões, o trabalho deixa de compensar e tendem a sair do serviço público. “A longo prazo, o que vemos é que o município cria uma dependência das OS e o trabalhador fica a margem das decisões de uma empresa privada”, conta Jader.

Em todo o país tem crescido esse modelo de gestão na saúde e, com ele os casos de desvios de recursos e fraudes em contratos. “A OS é uma empresa privada, ela contrata quem ela quer, na prática, abre brecha para a corrupção”, destaca o presidente do Conselho Municipal.

Câmara deve votar proposta

Enquanto a prefeitura prepara o projeto de terceirização para a Câmara, o Conselho de Saúde faz articulações com os vereadores para barrar a proposta. Já que a simples recusa da proposta no conselho, não impede o município de agir.

Acontece que em 2025, o vereador Rafael Tavares (PL) propôs um Projeto de Lei para permitir Organizações Sociais a assumir a administração de Upas e outros serviços de saúde municipais. A proposta foi recusada e agora os militantes da saúde contam com esse precedente para derrubar a proposta.

Após ouvir uma enxurrada de críticas no Conselho Municipal de Saúde, o secretário Marcelo Vilela manteve seu posicionamento de que a proposta é “inovadora”, mas lembrou que “a decisão é da prefeita”.

Esquema bilionário de corrupção

A Polícia Federal e a Controladoria Geral da União deflagraram várias operações para combater corrupção e desvios de recursos públicos por meio das Organizações Sociais. No Rio de Janeiro, uma das operações apontou que a OS era usada para pagar propina para o governo de Wilson Witzel (PSC). Conforme a PF, houve o pagamento de R$ 50 milhões em seis meses por meio da caixinha da propina.

No Rio Grande do Sul, a PF apontou desvios nas entidades nos municípios de Porto Alegre, Taquara, Pelotas e Santa Vitória do Palmar. Outras operações apontaram desvios por meio das OSs em São Paulo, na Bahia e no Maranhão.

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