Estelionatários de MS enganavam jogadores de futebol com pacotes de viagem; prejuízo de R$ 300 mil
Criminosos ofereciam pacotes para Europa e Japão com valores abaixo do mercado
A quadrilha presa pela Polícia Civil de Goiás, com apoio do Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), durante a Operação Viagem de Papel, em Campo Grande, causou prejuízo de R$ 300 mil nos últimos nove anos. Cinco pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira (26) após meses de investigação do esquema de estelionato que consistia na venda de passagens de pacotes turísticos.
Os presos são um casal que atuava como vendedor, outros dois que realizavam a lavagem de capitais e uma quinta pessoa que fazia a intermediação para a compra dos bilhetes. Entre os pacotes oferecidos estavam viagens para a Europa, Japão e pacotes religiosos com valores abaixo do mercado, segundo revelou o delegado Thiago César de Oliveira durante coletiva de imprensa.
“Atuam há alguns anos aqui na região, infelizmente vitimaram pessoas de grande poder aquisitivo, artistas, empresários do ramo esportivo nacionalmente conhecidos, vendendo pacotes de viagem que não existiam. Pegavam altos valores de todas essas pessoas, pacotes para a Europa, Japão a valores muito abaixo do mercado e não eram concretizados”, detalhou.
Os criminosos atuavam desde 2016 e, inclusive, em 2017, aplicaram golpe em um policial de Campo Grande. Na época, policial comprou alguns bilhetes do criminoso, mas a viagem não foi concretizada. “Ele chegou a ser sequestrado por esse policial, que foi vítima a época, mas ainda assim continuou atuando desde 2016 e 2017 da mesma forma”, ressaltou o delegado.

Com as investigações, foi descoberto ainda que uma família de Goiânia sofreu um prejuízo de R$ 100 mil. Ainda não há informações sobre o valor total lucrado pelos criminosos — visto que novas vítimas podem surgir com o decorrer das investigações — mas foi solicitado o bloqueio de R$ 300 mil das contas dos investigados. Por isso, estima-se que esse tenha sido o prejuízo causado as vítimas do estado goiano até o momento.
“O principal alvo era muito conhecido nas redes sociais por conhecer artistas e empresários de alto renome. Usando dessa falsa credibilidade, ele fazia algumas vendas informando que comprava passagens por meio de milhas aéreas, geralmente, algumas passagens davam certo e outras não. Porém, desde o início deste ano, a maioria das passagens não tem dado certo. Ele deu um prejuízo para uma única família em Goiânia no valor de R$ 100 mil”, destacou Thiago César.
Além disso, a quadrilha responde a dezenas de processos cíveis e criminais no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul e do Rio de Janeiro. Se condenados por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, a pena máxima pode ultrapassar 15 anos para cada um dos investigados.



