Denunciado por ‘greve fake’, sindicato dos motoristas quer fatia de Fundão do Transporte

Denunciado por ‘greve fake’, sindicato dos motoristas quer fatia de Fundão do Transporte

Entidade quer ajudar a gerir dinheiro destinado a melhorar transporte público em Campo Grande

Acusado por motoristas de agir em conluio com os empresários do ônibus, o STTCU (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano) quer participar do Conselho Gestor do Fundo de Mobilidade Urbana, responsável pela administração e fiscalização do Fundo que deve garantir ainda mais dinheiro ao Consórcio Guaicurus.

Trata-se de um fundo que vai reunir verba pública para destinar à concessionária de ônibus. O dinheiro será proveniente de parte de multas de trânsito, estacionamentos regulamentados e outras fontes. Os integrantes do conselho debatem como será a aplicação desses recursos, por exemplo, bem como são responsáveis por monitorar como o dinheiro é usado.

O sindicato chegou a ser denunciado — e investigado — formalmente pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) por ‘locaute’, já que denúncias de motoristas acusavam o STTCU de forçar a paralisação do dia 22 de outubro a mando dos empresários do ônibus. A prática é proibida.

Então, o presidente da Câmara de Campo Grande, Epaminondas Vicente Neto, o Papy (PSDB), se reuniu na quinta-feira (13), com representantes do sindicato, incluindo o líder da entidade, Demétrio Ferreira de Freitas.

Conforme a assessoria de imprensa da Câmara, o presidente da Casa ouviu as demandas da categoria em agenda articulada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), que apresentou solicitação formal do sindicato para integrar o Conselho Gestor responsável pela administração e fiscalização do Fundo.

Papy quer deliberar o debate para a criação de um fundo de garantias para o Consórcio Guaicurus. Os recursos para subsidiar o Fundo Municipal de Mobilidade e Trânsito de Campo Grande serão retirados da arrecadação de multas de trânsito, estacionamentos regulamentados e outras fontes de receita.

A medida, conforme já informado pelo presidente da Câmara, foi deliberada com parlamentares da Comissão de Transporte e Trânsito da Casa de Leis, em reunião de urgência, após paralisação relâmpago de motoristas, que cruzaram os braços por cerca de duas horas na manhã do último dia 22 de outubro, após descumprimento do acordo de antecipação salarial (vale) dos funcionários da companhia.

Em encontro na Câmara, o presidente do sindicato disse que pretende “contribuir de forma técnica e prática para o debate sobre o futuro da mobilidade urbana”.

Investigação do MPT

O MPT abriu investigação contra o Consórcio Guaicurus por suposta prática de locaute. A paralisação de motoristas de ônibus na manhã do dia 22 de outubro trouxe à tona denúncias de que a empresa e o sindicato estariam, mais uma vez, ‘forçando’ greve para pressionar a Prefeitura de Campo Grande a adiantar ou aumentar subsídios.

No dia seguinte à paralisação, o Jornal Midiamax revelou denúncias de motoristas de que a ordem para a greve teria articulação dos empresários do ônibus. Tal prática é conhecida como locaute e é proibida.

Assim, o MPT-MS instaurou procedimento preparatório, que é uma investigação inicial para levantar informações e provas para subsidiar um possível inquérito trabalhista contra o Consórcio Guaicurus.

No entanto, o vereador Maicon Nogueira (PP), que formalizou a denúncia no MPT, disse que motoristas indicados por ele a depor desistiram de denunciar o sindicato e Consórcio, por medo de represálias. Assim, o caso foi encerrado.

Por conter declarações de trabalhadores citando possível conluio entre os empresários do ônibus e o sindicato, o STTCU, que representa os trabalhadores, também foi colocado no rol de investigados pelo MPT.

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