Após 10 meses parado, CNJ retoma julgamento de desembargador que soltou chefão do PCC

Após 10 meses parado, CNJ retoma julgamento de desembargador que soltou chefão do PCC

Depois de manter o processo suspenso por 10 meses, o Conselho Nacional de Justiça vai retomar o julgamento do ex-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, desembargador Divoncir Schreiner Maran. Ele poderá ser punido por ter concedido habeas corpus para o narcotraficante Gerson Palermo, condenado a 126 anos de cadeia, sem exigir exames médicos e respeitar as instâncias do Poder Judiciário.

O relator do caso no CNJ, conselheiro João Paulo Schoucar, pediu inclusão do PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar) contra Maran na pauta de julgamentos do órgão. O processo estava parado desde dezembro do ano passado, quando o plenário aprovou a suspensão por dois períodos consecutivos de 140 dias.

O caso é um dos maiores escândalos do TJMS e levou a Polícia Federal a deflagrar a Operação Tiradentes contra o desembargador. Ele chegou a ser afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça, mas reassumiu alguns dias antes de se aposentar compulsoriamente por ter completado 75 anos.

A sindicância foi aberta para apurar a conduta do ex-presidente do TJMS na concessão do alvará para Palermo no feriadão de Tiradentes em 2020. Ele concedeu habeas corpus para o narcotraficante, considerado de altíssima periculosidade, no feriadão. Palermo deixou um presídio de segurança máxima e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

No retorno do feriadão, o desembargador Jonas Hass da Silva reassumiu a relatoria e revogou a liminar de Divoncir Schreiner Maran. No entanto, quando a polícia foi cumprir o mandado de prisão, Gerson Palermo tinha rompido a tornozeleira e fugiu. Até hoje o chefão do PCC permanece foragido.

O caso ficou parado um longo tempo na corte. A morosidade chegou a ser admitida publicamente pela então presidente do CNJ, a ministra Rosa Weber. Na ocasião, para cobrar celeridade no caso, ela até citou matéria feita pelo O Jacaré.

Nos últimos anos, o desembargador foi indiciado pela PF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Operação Tiradentes. Há um ano, em 24 de outubro do ano passado, o desembargador chegou a ser alvo da Operação Ultima Ratio, deflagrada pela PF com o aval do STJ. Ele é investigado pelos crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e venda de sentença.

No caso de Gerson Palermo, o MPF opinou pela punição de Divoncir Schreiner Maran no CNJ. Como a punição máxima é a aposentadoria compulsória e ele já pegou o pijama, a eventual punição do CNJ só poderá comprometer o currículo do desembargador, que não teve nenhuma condenação ao longo dos 43 anos da magistratura.

Na defesa do magistrado, ele negou qualquer irregularidade e culpou Jonas Hass da Silva, que restabeleceu a prisão, pela fuga de Palermo.

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